Na quarta-feira, a FDA, a agência reguladora de medicamentos, aprovou uma terapia capaz de revolucionar a forma de tratar o câncer

Por
Natalia Cuminale

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1 set 2017, 20h26 – Publicado em 31 ago 2017, 20h55

As coisas saíram exatamente como planejadas pela alegre garotinha americana Emily Whitehead. No último 2 de maio, aniversário de 12 anos, ela acordou cedo e decorou a casa em Philisburg, na Pensilvânia, com motivos japoneses. Ajudou a mãe a decorar o bolo. Ao fim da tarde, as amigas chegaram e, juntas, atravessaram a noite numa emocionante festa do pijama. De cinco anos para cá, o 2 de maio ganhou uma carga emocional imensa para a família Whitehead. A relação especial com a data começou em 2010, quando Emily recebeu o diagnóstico de leucemia linfoide aguda, o tipo mais comum em crianças e adolescentes. A menina passou por dois ciclos de quimioterapia, mas a doença não cedeu. Restava uma última alternativa de sobrevivência, o transplante de medula.  Enquanto esperava por um doador, o câncer tornou-se ainda mais agressivo, impossibilitando o procedimento. Emily ficou fraca, perdeu peso e os cabelos. A vida parecia ter chegado a um epílogo antes mesmo de florescer. Nada mais poderia ser feito, disseram os médicos.

O pai, o eletricista Tom Whitehead, fez do desespero alimento para a esperança e não desistiu. Procurou o Hospital Infantil da Filadélfia, que conduzia um novo tratamento para o tipo de câncer da filha, totalmente experimental. Emily foi aceita, só que o risco era altíssimo – a terapia nunca havia sido testada em crianças. Uma máquina removeria o sangue, e dele seriam removidas as células brancas, ou leucócitos, o exército de defesa do organismo. Um vírus de HIV modificado reprogramaria geneticamente essas células brancas para que atacassem o câncer. “Tínhamos duas opções: arriscar ou ir para casa e simplesmente esperar o tempo passar”, disse Tom Whitehead a VEJA. “Foi brutal assistir tudo isso. Os médicos afirmavam que ela tinha menos de uma chance em mil de sobreviver. E ela conseguiu”.

Coincidentemente, foi em um 2 de maio, no aniversário dos 7 anos, que Emily deu os primeiros sinais de recuperação. Agora, cinco anos sem o câncer, ela se transformou numa página da história da medicina. Na quarta-feira, 30, a FDA, a agência americana reguladora de remédios, aprovou a primeira terapia celular —  conhecida como CAR-T (sigla em inglês para Receptores de Antígeno Quimérico) – destinado a tratar leucemia de Emily. “Estamos desbravando uma nova fronteira de inovação médica com a capacidade de reprogramar as células do próprio paciente e atacar um câncer fatal”, disse o médico Scott Gottlieb, diretor da FDA.

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